sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Historial

Bismas das Acácias é fruto de uma fusão de grupos nomeadamente as Acácias, as Pop’s e ainda de um aglomerado de rapazes que dançavam break. O nome desse grupo deveu-se à existência de muitas “Marias” no mesmo que no estabelecimento da analogia da palavra repetição, o “Bis” serviu e porque se tratava de repetição de “Marias” entrou na composição “Bis” as iniciais “Ma” e porque eram muitas se acresceu o S o que deu em BISMAS por serem de Benguela e a cidade ser conhecida também como a cidade da acácias o grupo definitivamente ficou a chamar-se BISMAS das Acácias.
Fundado a 21 de Abril de 1984, na cidade de Benguela sob iniciativa de Julieta Jota, que contactou Cristóvão Mário Kajibanga para ser o padrinho do grupo, função aceite e a partir de então, foram feitas as primeiras compras que consistiram em tecido com o qual se confeccionaram os primeiros trajos e se partiu para os desafios iniciais.
A meta do grupo estava traçada, inicialmente importava lançar o nome e na época o caminho para o efeito era participar nos concursos de dança Break e Kabetula, que a Rádio Benguela, na pessoa de Mário Inácio realizava na JEC, actualmente Centro Católico. Nesse Concurso o nome do grupo se notabilizou tanto assim que no ano seguinte, isto é em 1985 começou também a promover no mesmo local actividades recreativas com intuito do resgate de valores morais a exemplo do concurso de “Boas Maneiras”.
Compreendendo que o Break era moda e por conseguinte não duraria muito tempo, em Fevereiro de 1985 faz-se a reestruturação do grupo, cria-se uma direcção constituída por:
1. Cristóvão Mário Kajibanga- Director
2. Eliezer João Teca –Director Adjunto
3. João do Carmo Miranda Pinto- Chefe da Disciplina
4. Flora Matilde- Estilista
5. João Massada- Preparador Físico
6. Clara Angelina- Ensaiadora

Essa direcção entre os vários pontos estratégicos que estabeleceu constou:
· O de pesquisar danças folclóricas da região dos Ovimbundu e não só, com o propósito de retro alimentar as coreografias do grupo valorizando e divulgando deste modo uma parte da cultura nacional na vertente dança tradicional artística através dos vários espectáculos que o contexto fosse facilitando ao longo do tempo que o grupo existe.
· Criar um grupo de trova
· Procurar um patrocinador

As decisões foram materializadas. Os Bismas desde então deixaram de dançar Break e começaram a coreografar as danças patrimoniais dos ovimbundu e não só da província de Benguela enriquecendo com elas o seu reportório que compreende:
1. Bismas das Acácias
2. Kassesse Kamusselembué
3. Tembo yo kukunlã Kalualua
4. Koti Kolombula
5. Ndungo
6. Firmino
7. Cipwete
8. Ukongo
9. Acácias Rubras
10. Sindeta
11. kalumbemba
12. Cilombonde
13. Lundongo
14. Cindungue
Os ensaios de dança nessa altura, 1985/86 passaram a realizar-se na casa da senhora Fátima Machado, fica em frente ao ISCED de Benguela, onde também moravam Flora Matilde e Conceição Machado a ultima irmã da dona de casa e a primeira cunhada. A partir de Agosto de 1986 e porque o director e o chefe da disciplina do Grupo eram quadros do sector da cultura na província conseguiram um convénio com a Administração Municipal de Benguela e o Grupo passou a ensaiar no terraço do mercado Municipal até 1990.

De 1990 a 1998 os ensaios foram efectuados na casa de João Massela.
De 1999 ao presente momento os Bismas ensaiam em sede própria sita na rua Miguel Bombarda, Largo da Peça em Benguela.

O grupo de trova apareceu constituído por:
Fonseca da Voca- Zeca Mi
Eliezer João Teca – Ginho
José Maria Paulo Jota- Russo Jota
Cristóvão Mário Kajibanga

A Empresa Confecções Quinas foi a que se prontificou a patrocinar o grupo. Deu uniforme, constituído por blusas com língua da sogra e saia calção para as meninas e calça e camisa para os rapazes e a cor era verde capim com branco nos bolsos e gola para todos. Durante cinco anos(85/90) os Bismas organizavam espectáculos de variedades na Catumbela, Dombe Grande, Baia-Farta e Benguela com sustento da empresa madrinha. Com os ventos da democracia e alienação de algumas empresas as confecções se privatizaram e os Bismas ficaram descobertos.
Em 1992, apareceu um projecto desenhado pela AAD-Acção Angolana para o Desenvolvimento, que pretendia contar a história do tráfico de escravos através da dança cuja apresentação devia ser feita nos PALOP’s. Esse projecto teve inicio, tinha o Kajibanga a dirigi-lo na parte artística e a Madalena Guilherme na parte Administrativa. o ballet foi montado com a participação de bailarinos de dos Bismas e do Evamba[1], porém a apresentação não foi possível por duas razões:
A pessoa responsável do projecto dentro da AAD demitiu-se era brasileira
A tensão em Angola era evidente e logo após as eleições eclodiu a guerra que deitou por terra tudo.

Com o projecto os prováveis ganhos seriam a aquisição de materiais como gravadores, contentores, camiões com os quais se materializaria a execução, isto é os meios produziriam dinheiro com montagem de uma rede de lanchonetes, transporte e outras prestações de serviços que serviriam para sustentar as necessidades do projecto.


Palmarés
Dança
· 1º Lugar no Festival Municipal de dança Tradicional organizado pelo Comité Municipal do MPLA-PT alusivo aos 10 anos de Angola Independente (1985)
· 1º Lugar no Festival de Provincial de trabalhadores em Benguela (1987)
· 3º Lugar no Festival Nacional de trabalhadores em Luanda- 1987
· 1º Lugar fase Provincial do Festival Nacional da Cultura- FENACULT/89
· 1º Lugar fase Nacional do Festival Nacional da Cultura- FENACULT/89
· Três distinções (Melhor coreografia, melhor performance, melhor harmonia) no Festival Nacional Angola 20 anos-1995
· Prémio Nacional de Cultura e Artes/2007
· Reconhecimento Pela escola nacional de dança pelos feitos dos Bismas em prol da mesma. Maio/08



Música
1º Lugar no 2º Festival Provincial da Canção Politica “Um canto e um Poema para Neto”
Participação na fase nacional do 2º Festival Provincial da Canção Politica “Um canto e um Poema para Neto” realizado coicidentemente em Benguela



PARTICIPAÇÕES NACIONAIS
Recepção do Presidente da República – Cine Kalunga- Maio/87
Jogos Militares em Cabinda, Luanda, Huíla e Benguela
Recepção do 1º Ministro/07
Eleições de Misses da provincia e Nacional 2001
Carnaval integrando o grupo do Artista e desde 2003 o Bloco Amarelo
Afrobasket/07
Can/08 Andebol
Festival de Teatro e Artes /Maio-08 (Elinga Teatro 20 anos de existência)
Festival Nacional de Danças e Cancioneiros tradicionais no Huambo 2010

PARTICIPAÇÕES INTERNACIONAIS
Festival Internacional de Folclore de Ismalia-Egipto- 1988
Encontro de Lusofonia em Sintra-Portugal-1994
Espectáculos nas escolas primarias suecas- 1998
Expo-98
Espectáculos nas escolas suecas-2000
Participação na Expo de Zaragoza/08 (Espanha/08)
Festival de Artes Negras no Ruanda/2010
Festejos de Angola 35 anos no Egipto convite da Embaixada de Angola/2010 


ACÇÃO PARA CULTURA E DESENVOLVIMENTO

Na base da experiência de 1992, com o projecto Kina, em Dezembro de 1994 Kajibanga, elabora[2] um projecto denominado Omiluko com objectivo de promover a tolerância e pacificação dos espíritos no seio dos deslocados, que submete à varias organizações nacionais e internacionais que foi aceite pela ARO ONG sueca presentemente designada GAS- Grupo África da Suécia através da ADRA.

Nos Acordos de implementação assinados com a ADRA ( pois ela o tinha feito com o GAS no sentido de representação), ficou assente que o projecto seria implementado nas mesmas áreas da ADRA e por conseguinte o acompanhamento seria efectuado pelas equipas de trabalho da ADRA na localidade correspondente.

O Projecto Omiluko, começou a ser implementado em Maio de 1996. Ele lançou o grupo para uma outra dimensão que no decurso do tempo se entendeu que a ambição do projecto suplantava o grupo e por conseguinte era necessário corrigir tal pois algumas coisas eram de carácter institucional entretanto eram tocadas pelo projecto.

Durante a viagem à Lisboa na Expo-98, se discutiu a possibilidade de se criar uma ONG com pendor cultural, houve exitações mas chegou-se ao consenso e a 20 de Novembro de 1998 o Grupo Cultural Bismas das Acácias Transformou-se numa Organização Não Governamental de linha cultural passando desde então a designar-se Bismas das Acácias- Acção Para Cultura e Desenvolvimento.

Fundaram essa organização os seguintes:
Alice Cabral
Armindo Jaime Gomes
Joaquina Pacavira
Salvador Ferreira
Cristóvão Mário Kajibanga
Eliezer João Teca- Ginho
Mateus Etosi
Tomé Suende
José Mbalote
João Massela
José António- Mony
Deolinda Mbundo
Mingo DUnny
Mariana Nutula
Flora Matilde
Fonseca da Voca
 Com a ONG implementaram-se os seguintes projectos:

  1. Projecto Omiluko Periodo de implementação:1996/98 Financiador: GAS
  2. Projecto Omilko II. Periodo de implentação 1998/2000. Financiador GAS
  3. Projecto Omiluko III Periodo de implementação: 2000/02, Financiador GAS
  4. Projecto Reencontro, Periodo de implementação 2003/05, Financiador GAS
  5. Projecto Reencontro II, Periodo de Implementação 2005/07 Financiador GAS
  6. Projecto Reencontro III, Periodo de Implementação 2008/10 Financiador GAS
  7. Projecto Omwenho Ukola, Periodo de Implementação 2010/2011
  8. Projecto Okutiuka Ocisoko 2012


As comemorações do 10º Aniversário da independência de Angola, constituíram o marco da grande viragem do grupo para aquilo que é actualmente. Foi nessas comemorações que se tomou a decisão de fazer dança tradicional com a participação do grupo no concurso de danças tradicionais organizado pela comissão executiva municipal de Benguela do MPLA em prol dos 10 anos da independência de Angola. A conquista do troféu desse concurso revigorou a vontade de dançar o folclore angolano. Apareceram depois muitos outros concursos e os Bismas estiveram sempre presente e com lugares de destaque.
Foram os festivais de trabalhadores, canção politica, e a grande realização cultural de Angola de todos os tempos, pelo menos até aqui, o FENACULT/89 cujo troféu em dança os Bismas conquistaram. A importância desse grupo, reside no facto de por um lado no meio urbano onde está inserido executar nas suas coreografias o folclore angolano que reside fortemente no campo; por outro lado esta o facto de que os executantes dessas coreografias são jovens embora alguns deles de origem camponesa porém já “desenraizado” a custa de tanta confluência de culturas incluindo a exógena o que por si só representa uma dificuldade de mobilização para aquilo que eles fazem hoje. Se olharmos para a estatística do quadro inicial do movimento cultural nascido sob influência da televisão na década 80 veremos que dos cerca de 15 grupos da época, apenas eles, os Bismas da Acácias sobreviveram (enquanto executantes da dança tradicional para espectáculos).
Por essa coragem, essa tenacidade e também perseverança se pode concluir que existe interesse desse grupo em fazer chegar aos jovens o fundamento das danças tradicionais por si recolhidas e executadas com o intuito de manter viva a raiz da cultura nacional sobretudo na região em que estão situados, assim como educar os jovens a valorizar a criação artística e popular do seu País.

Extractos do livro inédito “Coreografia Rural de Cristóvão Mário Kajibanga”

[1] Esse grupo foi fundado por Cristóvão Mário Kajibanga em 1989 com a intenção de impulsionar os Bismas à criatividade. Ficou depois sob direcção de André Matuka, um exímio bailarino.1. [2] Esse aspecto esta singularizado porque Kajibanga em 1989 saiu dos Bismas das Acácias e fundou o Evamba e que mais tarde deixa para o André Matuka. O projecto Kina, aproximou o mesmo aos Bismas pois fora contacto pela Brasileira da AAD para formar um elenco capaz de fazer o ballet sobre escravatura. Foi ele quem convidou alguns bailarinos dos Bismas na Altura dirigidos pelo Ginho que antes fora seu Adjunto, e os do Evamba. Quando o projecto Kina fracassou Ginho e Kajibanga conversaram muitas vezes sobre dança. O ginho pensava fazer um grupo operativo, ágil multifacetico e reduzido para acções de espectáculos, enquanto Kajibanga pensava constituir um Club de Amigos da Dança. Nessas cogitações ( re)nasceu a ideia do Omiluko quando foi aceite pelo GAS a entidade capaz de executa-la era os Bismas das Acácias e Assim Kajibanga volta em 1994 para os Bismas após 5 anos de ausência.

Um comentário:

  1. Sinto-me uma sortuda por ter vivido um ano e meio em Benguela e ter tido o prazer de conhecer as Bismas das Acácias. Obrigada por me terem aberto as portas e por me terem ensinado um bocadinho do muito que sabem.
    Tenho muitas saudades de Benguela, saudades vossas, saudades de dançar... saudades, tantas saudades...

    De Portugal envio um grande beijinho para todos os bailarinos...


    elisabete
    (voluntária dos Leigos para o Desenvolvimento)

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